O texto de hoje, vai te ajudar a conhecer cada um dos títulos disponíveis no Tesouro Direto, os chamados “títulos públicos”, e entender como escolher o melhor para seu investimento.

Se você está acompanhando nossas publicações, já sabe, entre outras coisas, que o Tesouro Direto é melhor do que a poupança, que conhecer seu perfil de investidor é fundamental na hora de investir e que você não pode deixar de avaliar o prazo de maturação de cada investimento.

Portanto, agora é hora de saber como funciona cada modalidade do Tesouro Direto! Logo abaixo, você vai entender:

  • Títulos do Tesouro Direto e suas principais características
  • Indexado ao IPCA, prefixado ou Tesouro Selic: qual o melhor?
  • Aposentadoria: um bom exemplo de uso do Tesouro Direto

Ou seja, continue lendo e entenda como cada título do Tesouro Direto pode impactar seus ganhos de forma exponencial.

Títulos do Tesouro Direto e suas principais características

Os títulos disponíveis podem ser encontrados na página oficial do Tesouro Direto. Além disso, quando você escolher uma corretora para comprar seus títulos (em breve teremos um post sobre como fazer isso), o site da corretora também trará essa listagem.

Para facilitar seu entendimento, nós listamos abaixo os títulos disponíveis e acrescentamos algumas informações úteis na tabela abaixo. Os dados foram compilados em 15 de janeiro de 2019.

tabela de títulos do tesouro direto

Vamos começar a entender essa tabela.

Uma característica básica para você observar é que no Tesouro Direto, você investe em títulos. Isso significa que você compra um título ou uma cota dele e alguns meses depois vende para o governo novamente, recebendo seu rendimento segundo o tipo de papel escolhido e pagando Imposto de Renda no resgate.

Isso é muito diferente por exemplo de um CDB, modalidade em que você pode escolher um valor para aplicar todo mês e, no final, receber o rendimento acordado.

Se você quiser por exemplo juntar dinheiro durante dois anos para uma viagem, terá que comprar títulos todo mês no Tesouro Direto, no valor que escolher. Isso lhe permite investir por exemplo R$ 100 em um mês e R$ 800 em outro, coisa que não poderia num CDB.

Por outro lado, o fato do seu investimento mensal não ser “obrigatório”, ou seja, não ser uma prestação, pode fazer com que você não tenha regularidade nos investimentos e isso atrapalhe seu plano de investimentos. Para dar certo, é preciso ter disciplina.

Uma coluna importantíssima para você entender cada título é a do “Vencimento”. Ou seja, essa é a data final de resgate do seu título. Trata-se da data ideal para você liquidar seu título para ter o máximo de investimento. Você pode entender melhor isso no nosso post passado, sobre “Prazo de maturação”.

Mas a menina dos olhos de todo investidor é sempre a coluna “Taxa de Rendimento”, neste caso, anual. Repare que, na tabela, ela varia de 0,01% (Tesouro Selic) até 9,06% (Prefixados Semestrais 2029). A diferença – enorme – é explicável.

Para cada um dos 3 tipos de título, a taxa tem um significado diferente. No IPCA+, ela vai ser somada à inflação para dar o seu rendimento. Nos prefixados, a taxa é fechada, independente da inflação. Já no Tesouro Selic, o rendimento se soma ao valor que a Taxa Selic estiver valendo na data da venda.

Você entenderá isso bem, agora que explicaremos cada um dos três grupos de títulos!

Indexados ao IPCA: ganho garantido acima da inflação

Como funciona: o título paga, na data do vencimento, um valor equivalente ao seu capital atualizado pela inflação, medida pelo IPCA, mais uma taxa de rendimento. No caso do Tesouro IPCA+ 2035, por exemplo, você receberá em 15 de maio de 2035 seu dinheiro atualizado pela inflação e mais um rendimento de 4,59% ao ano. Ou seja, em 16 anos, que é tempo da aplicação, seu dinheiro vai quase dobrar, já descontando a inflação e o IR.

Quando comprar: trata-se de uma aplicação de médio, longo ou longuíssimo prazos. Útil tanto para acumular um patrimônio como para quem quer um investimento seguro, com ganhos garantidos acima da inflação.

Prefixados: você sabe exatamente quando vai resgatar

Como funciona: o Tesouro Prefixado paga para você, na data de vencimento, o seu capital atualizado com a taxa acordada na compra. Ou seja, se você investir R$ 1.000 hoje no Tesouro Prefixado 2025, receberá, em 1º de janeiro de 2025, um valor bruto de R$ 1.665,47. O grande fator a considerar neste caso é a inflação.

Se você tiver certeza de que ela vai continuar nos patamares atuais (3,75% em 2018), é um ótimo investimento. Mas se, em um ano, ela bater a da Argentina (46,6% em 2018), você pode ter sérios prejuízos.

Quando comprar: há modalidades de curto (24 meses), médio (72 meses) e longo prazo (120 meses). Para o curto, é um título muito indicado, pois a inflação do país está controlada há anos e dificilmente dará um salto em curto prazo.

Para o médio, você já precisará avaliar a capacidade do governo atual e de um futuro governo de manterem o dragão nas rédeas. O risco aumenta bastante. Prazo longo, aí complica ainda mais.

Tesouro Selic: ótimo quando a inflação começa a subir

Como funciona: o Tesouro Selic paga a você, na data do vencimento, o seu capital acrescido do rendimento da Selic (hoje em 6,5%) e da taxa acordada na compra (atualmente em 0,01%).

Quando comprar: é um título muito bom quando há indicativo de forte pressão inflacionária, pois isso exige que a Selic se mantenha por anos em patamares elevados. Isso aconteceu por exemplo entre 2013 e 2016, com a Selic chegando a 14%. Atualmente, não é um investimento atrativo.

Títulos com juros semestrais

Como funcionam: atualmente, há quatro títulos nessa modalidade, os do Tesouro IPCA+ (2026, 2035 e 2050) e o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2029. A diferença deles para os normais de cada categoria é que, no caso dos semestrais, os juros obtidos com a aplicação podem ser retirados a cada 6 meses.

Por isso, são indicados para quem dispõe de capital e precisa utilizar os rendimentos periodicamente já no curto prazo.

Quando comprar: a principal característica desses títulos é permitir uma remuneração semestral ao investidor, começando já com 6 meses de investimento. Por isso, são bons para quem possui um capital acumulado e quer usá-lo para a aposentadoria, por exemplo. Porém, se você pretender reaplicar o que recebe a cada 6 meses, não escolha os semestrais, pois eles pagam Imposto de Renda também semestralmente, fazendo com que um título sem essa modalidade renda muito mais para você.

Agora que você já conheceu os títulos, vamos deixar os usos deles mais prático para você com alguns exemplos práticos. Acompanhe.

Aposentadoria: um bom exemplo de uso do Tesouro Direto

Digamos que você queira se aposentar daqui a 26 anos com um rendimento equivalente a R$ 2.000. Neste caso, temos que primeiro calcular quanto seriam esses R$ 2.000 em 26 anos. Usando a inflação no patamar atual, esse valor teria de ser de R$ 5.268 para manter seu poder de compra.

Agora, para ter um rendimento como esse, em uma aplicação a 6,5% ao ano, o total do capital teria de ser de R$ 1.000.000 em 2045.

O título mais indicado para juntar esse capital seria, portanto, o Tesouro IPCA+ 2045. Neste caso, a simulação do Tesouro Indica que você teria de comprar hoje R$ 145 mil em títulos. Outra opção seria comprar títulos mês a mês no valor de R$ 1.055 para ter o mesmo resultado.

Para efeito de comparação, para conseguir o mesmo resultado, você teria de depositar na poupança R$ 1.429, conforme a simulação abaixo.

Simulador IPCA

Outra boa comparação é com um sistema de VGBL, a chamada previdência privada. Neste caso, fizemos utilizamos o simulador do Santander usando uma taxa de 7%, indicada para conservadores.

Simulador Tesouro direto Santander

Ou seja, para obter o mesmo rendimento, uma pessoa que optasse pelo VGBL teria de fazer aportes mensais de R$ 1.176, portanto, R$ 121 por mês a mais do que no Tesouro Direto.

Deu pra ter uma ideia melhor de cada título do Tesouro Direto? Esperamos que sim.

Continue acompanhando nossos posts e aprenda tudo sobre esse tipo de investimento, que é o mais seguro e um dos mais vantajosos do mercado.

No próximo texto, traremos um quadro completo relacionando cada tipo de investimento com os títulos públicos que melhor rentabilizam o seu sonho. Aguarde e confira!

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