Inflação vs Tesouro Direto – Veja o que influencia

Veja como o aumento de preços influencia na Inflação vs Tesouro Direto

Nas últimas semanas, você que acompanha o nosso blog aprendeu quase tudo o que precisa para começar a utilizar o Tesouro Direto e obter ganhos muito acima da poupança.

Hoje vamos te ajudar a dar mais um importante passo. Vamos te ensinar a utilizar as projeções de inflação brasileira na hora de decidir qual título do Tesouro Direto comprar, ou mesmo se é hora de vender um título que não esteja indo bem. Por isso, nesse post você vai aprender:

  • O que é a inflação e que índice usar?
  • Como estimar a inflação dos próximos anos?
  • Como atualizar um valor pela inflação?
  • Quais títulos do Tesouro Direto são imunes à inflação
  • Se escolher um prefixado, posso perder dinheiro?

Prontos?, Então, vamos lá!

Podemos lhe ensinar como Fazer seu Dinheiro Render Mais?

Inflação vs Tesouro Direto – Veja qual é o impacto

Abaixo veremos separadamente cada um dos itens que aprenderemos hoje. Vamos começar? Me acompanhe!

O que é a inflação e que índice usar?

A inflação é um cálculo que mostra o quanto os preços aumentam num determinado período. Assim, você pode calcular a inflação de um mês, um ano, ou do tempo que quiser.

Além disso, os produtos não sobem todos ao mesmo tempo. Por exemplo, se o clima castigar a plantação, isso fará com que os produtos alimentícios aumentem muito mais do que os outros produtos.

Por esse motivo, podemos ter uma inflação mais alta, por exemplo, para os idosos, que consomem muitos remédios, ou para as pessoas que ganham menos, para quem o custo da cesta básica pesa muito no orçamento.

Para efeito de cálculos financeiros, o principal índice de inflação que vamos considerar é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é, inclusive, usado em alguns títulos do Tesouro Direto. Ele mede a inflação considerando os produtos mais consumidos pelo brasileiro.

Se você quer saber a inflação de qualquer ano, procure no Google por “IPCA” e pelo ano que deseja saber. Em geral, nas primeiras notícias o índice já aparece. No caso de 2018, o IPCA acumulado foi de 3,75%.

Como estimar a inflação dos próximos anos?

Para planejar nosso futuro, precisamos estimar qual será a inflação nos próximos anos, não é verdade? Evidentemente, nem os melhores economistas conseguem sempre acertar neste quesito.

Mas uma olhadinha para o passado pode nos ajudar a ter uma visão razoável do futuro. Por isso, observe o gráfico abaixo, que mostra qual foi a inflação anual do Brasil ano a ano e a Selic (taxa básica de juros da economia) registrada em dezembro de cada ano.

Uma coisa importante que podemos notar é que a inflação (azul) no Brasil varia bastante. Nesse período de 20 anos, ela chegou a 12,53% em 2002 e a 2,95%, recentemente, em 2017.

Porém, uma coisa ainda mais importante é notar que o gráfico da Selic (laranja) variou ainda mais, começando com ela extremamente alta, a 38%, mas gradativamente se aproximando da taxa de inflação, sendo que hoje está somente a 2,75% acima da inflação.

Isso é importante porque a Selic é a taxa que faz a inflação cair. Quanto mais alta a taxa, mais os juros do mercado aumentam. Assim, o dinheiro sai da economia para ser aplicado em juros. Dessa forma, com menos dinheiro no mercado, a inflação cai.

Ou seja, cada vez mais, se torna desnecessário ter uma Selic alta para manter a inflação baixa. Por mais que o país passe por vários altos e baixos nesses 20 anos, essa Selic mais próxima da inflação indica uma economia mais estável e, portanto, com tendência de se manter nos trilhos.

Por isso, se você for fazer uma estimativa de curto prazo (até 2 anos), pode apostar numa inflação próxima à atual, ou seja, de 3,75%. Do prazo médio em diante, ou seja, de 3 anos em diante, vale pensar em uma média do gráfico acima. Um valor de 5% por ano seria bem razoável para essa estimativa.

Como atualizar um valor pela inflação?

Agora imagine que você quer fazer uma viagem daqui a quatro anos. Você pesquisa o destino, levanta preços de passagens, de hotel, de comida, de passeios e chega a um valor de R$ 30 mil.

A pergunta é: quanto você precisa ter daqui a quatro anos para fazer essa viagem que hoje custaria R$ 30 mil?

Já sabemos que estimamos para prazos a partir de 3 anos o valor de 5% de inflação. Porém, não pense que basta somar os juros dos 4 anos (5 + 5 + 5 + 5) para chegar aos juros totais.

Na verdade, os juros do primeiro ano seriam 5%, porém os do segundo seriam 5% sobre o valor inicial mais 5% sobre a parte que já aumentou no primeiro ano. Ou seja, estamos falando de juros compostos!

Assim, para responder à pergunta acima, você pode usar esta fórmula:

Valor_final = Valor_inicial * (1 + taxa_de_juros) ^ quantidade_de_anos.

Os itens a substituir na fórmula são:
Valor_inicial = R$ 30.000
taxa_de_juros = 5% (ou 0,05, que é a mesma coisa)
quantidade_de_anos = 4
Valor_final = é o que queremos saber

Para executar a conta, faça assim:

1. Some “1” à taxa_de_juros. No caso acima, 1 + 0,05 = 1,05.
2. Eleve o valor resultante pela quantidade_de_anos. No caso acima, 1,05 ^ 4 = (1,05 x 1,05 x 1,05 x 1,05) = 1,2155.
3. Multiplique o resultado pelo Valor_inicial. No caso acima, 30.000 * 1,2155 = R$ 36.465,00!

Pronto, você já sabe quanto deve custar o seu objetivo na data de realização. E pode escolher uma aplicação que lhe dê esse resultado no período de quatro anos!

Quais títulos do Tesouro Direto são imunes à inflação?

O Tesouro Direto possui títulos que garantem a você rentabilidade acima da inflação, faça chuva ou faça sol: os títulos do tipo IPCA+. Neste caso, o tesouro paga a você, na data de resgate, juros equivalentes à inflação (IPCA) mais os juros combinados na compra.

Ou seja, essa é uma ótima maneira de preservar o poder de compra do seu dinheiro e ainda ter conseguir um bom rendimento em juros. Conforme você pode ver na terceira coluna da tabela acima, os títulos tipo IPCA+ pagam todos mais do que 4% acima da inflação!

Outro título que pode ser usado para isso é a Selic. Embora ela seja variável, você viu no gráfico que ela está sempre acima da inflação. Atualmente, como falamos, ela está 2,75% acima, porém, se a inflação subir, a Selic também sobe e seu rendimento aumenta!

Caso queira saber como funciona cada título do Tesouro Direto, reveja nosso texto “começar a utilizar o Tesouro Direto e obter ganhos muito acima da poupança”.

Se escolher um prefixado, posso perder dinheiro?

A resposta mais justa é: pode, mas é muito improvável. Repare na tabela que os títulos prefixados já pagam acima da inflação, de 7,67% (2022) a 8,83% (2029).

Imaginemos que a inflação continue no patamar atual (3,75%). Neste caso, o de 2022 pagaria acima da inflação o valor de 3,92%. Isso é abaixo dos títulos de IPCA+, que passam de 4 pontos, mas ainda é um lucro considerável!

Já o título de 2029 é um papel de 20 anos. Ou seja, usando a nossa estimativa, é melhor apostar em uma inflação de 5%. Ou seja, ele pagaria, de juros reais, 3,83% (8,83% – 5%). Novamente, menos do que o IPCA+.

Por fim, existe sim o risco de a inflação subir acima dos 5%, diminuindo ainda mais o seu rendimento. Caso haja uma crise e ela passe de 8%, você pode até mesmo levar prejuízo, embora essa não seja uma perspectiva muito provável para os próximos anos.

Portanto, se quer um Tesouro Direto 100% seguro, vá de IPCA+.

Estamos chegando lá

No próximo texto, chegaremos ao fim da nossa jornada de aprendizado sobre o Tesouro Direto, sintetizando os “Pontos essenciais a considerar para investir bem no Tesouro Direto”.

Aguardamos você. Até lá!

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